
A história de Ladrões de bicicleta (do original Ladri di biciclette) se passa logo após a segunda grande guerra, com a Itália destruída e o povo passando necessidade. Ricci (interpretado por Lamberto Maggiorani) consegue um emprego após muita espera. Só que esse emprego (de colar cartazes na rua) lhe pedia como obrigação uma bicicleta, já que ele deveria se locomover muito e andando não seria uma boa opção, por causa do tempo que seria desperdiçado. Sem dinheiro, Ricci e sua mulher Maria (interpretada por Lianella Carell) conseguem dinheiro para uma bicicleta, possibilitando Ricci de realizar o seu trabalho. Na história há também o menino Bruno, interpretado por Enzo Staiola, filho do casal. Fascinado por bicicletas, o menino cai de cabeça com o pai na busca pela bicicleta que lhe fora roubada, enquanto Ricci trabalhava em seu primeiro dia. Esse roubo é o empurrão para o desenrolar do filme, a busca incansável de Ricci, seu filho e amigos para recuperar o objeto não só de trabalho, mas de esperança de uma vida melhor da família.
A cena em que Ricci consegue sua bicicleta e sai para o primeiro dia de trabalho é antológica. A fotografia e a música têm papéis importantíssimos na obra. Com o decorrer do filme, ambos vão ficando cada vez mais pessimistas, escuros, fúnebres.
Outro ponto a ressaltar é a utilização de atores amadores na obra. Por causa da falta de verbas (e até mesmo do desemprego que rondava a época), muitos filmes neo-realistas eram rodados com 100% do elenco de atores amadores, como é o caso de Ladrões de Bicicleta. Alguns casos à parte, como Roma, Cidade Aberta, faziam uma mistura de amadores com profissionais. Contudo, De Sica sabia como ninguém guiar seus atores, e este filme é um perfeito exemplo disso. Merece destaque ainda, alguns pontos interessantes da obra, como a cena em que Bruno tinha que chorar após apanhar o pai. O jovem Enzo não conseguia chorar. De Sica e sua equipe, perspicazes, colocaram cigarros no bolso do menino e começaram a acusá-lo de roubo. Ofendido, o menino começou a chorar de verdade. Outra curiosidade é que muitas das cenas desse tipo de filme eram rodadas em céu aberto. Isso porque os estúdios italianos estavam todos ocupados com pessoas desabrigadas da segunda grande guerra.
A seguir apresentamos um fragmento do filme Ladrões de bicicleta. Aproveitem e até a próxima.
Rafael Nascimento
Outro ponto a ressaltar é a utilização de atores amadores na obra. Por causa da falta de verbas (e até mesmo do desemprego que rondava a época), muitos filmes neo-realistas eram rodados com 100% do elenco de atores amadores, como é o caso de Ladrões de Bicicleta. Alguns casos à parte, como Roma, Cidade Aberta, faziam uma mistura de amadores com profissionais. Contudo, De Sica sabia como ninguém guiar seus atores, e este filme é um perfeito exemplo disso. Merece destaque ainda, alguns pontos interessantes da obra, como a cena em que Bruno tinha que chorar após apanhar o pai. O jovem Enzo não conseguia chorar. De Sica e sua equipe, perspicazes, colocaram cigarros no bolso do menino e começaram a acusá-lo de roubo. Ofendido, o menino começou a chorar de verdade. Outra curiosidade é que muitas das cenas desse tipo de filme eram rodadas em céu aberto. Isso porque os estúdios italianos estavam todos ocupados com pessoas desabrigadas da segunda grande guerra.
A seguir apresentamos um fragmento do filme Ladrões de bicicleta. Aproveitem e até a próxima.
Rafael Nascimento
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