segunda-feira, 29 de junho de 2009

Roma città aperta - Roberto Rossellini




Em "Roma, Cidade Aberta", é possível observar claramente os elementos característicos do neo-realismo italiano: gravações em amplos exteriores, planos seqüência, participação de não-atores nos papéis principais (à exceção de Anna Magnani e mais alguns), a temática da miséria, da solidão, do sofrimento, o realismo em primeiro lugar, em certos momentos sendo documental, elementos que vieram influenciar cineastas do mundo inteiro em diferentes épocas, inclusive o Cinema Novo, no Brasil. O filme mostra a situação de opressão, medo e miséria a que ficou sujeita a população italiana durante a ocupação alemã na segunda guerra mundial. Rossellini mostrou ao mundo que, apesar de a Itália ter se aliado a Hitler no conflito, o povo italiano resistiu à ocupação e sofreu de forma similar aos demais povos europeus ocupados. O filme foi feito com muita dificuldade, com pedaços de filmes diferentes, o que é possível verificar pela diferença entre as imagens ao longo da película. Começou a ser rodado ainda durante a ocupação, com tomadas das tropas alemães sendo feitas às escondidas por Rossellini e seus ajudantes, dentre eles Federico Fellini. Este caráter documental do filme lhe soma em densidade. A participação da população de Roma como intérprete lhe presta ainda mais realismo. Na cena em que a personagem de Anna Magnani é morta por soldados alemães, estes são interpretados por soldados alemães presos após a guerra. Nesta mesma cena, diversos populares interpretam a si mesmos durante a ocupação, sendo cercados por alemães. Este realismo, associado a uma conjunção de outros elementos que compõem a narrativa fílmica típica do neo-realismo italiano, anteriormente descritos, faz de "Roma, Cidade Aberta", ainda hoje, uma preciosidade a ser preservada para muito além do século XXI.


Alexandre, Flávia e Elizangela

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